21 de fevereiro de 2013

Obsessivo sanguinário (+16) – Por Salomon





                  Obsessivo sanguinário (+16) – Por Salomon

(conto escrito para uma tarefa escolar, tudo que está aqui é ficção).


   Tenho um problema grave que me afeta desde a infância, um problema que me gerou uma obsessão incomum, o meu problema é que sou nitidamente egoísta e incapaz de aceitar a indignação de receber ordens das outras pessoas, e o que isso gerou em mim? É exatamente isso que vou relatar nestas linhas agora mesmo.
   Tudo começou quando eu tinha aproximadamente uns cinco ou seis anos de idade, quando eu me traumatizei testemunhando as atrocidades que meu pai fazia em casa, a forma como ele sempre chegava bêbado em casa, às vezes muito tarde da noite, ele era um cara extremamente violento e só se dirigia a minha mãe ou a mim aos gritos, seja para pedir cerveja ou para limpar a sujeira da casa, ou trazer-lhe comida, ou muitas outras ações que tiravam toda a dignidade de uma pessoa, ele humilhava minha mãe, e a punia com violência quando esta ousava uma vez ou outra desobedecer a uma “ordem”. Nunca entendi o que ela havia notado naquele cara para acabar se casando com ele.
   Foi decepcionante ver a minha mãe sendo humilhada e explorada daquela forma quase todos os dias, mas eu também não conseguia fugir de seus corretivos violentos, desde onde eu sei, ele batia em mim desde que eu era bebê, sem a mínima capacidade de me defender, mais ou menos como naquela noite que eu decidi comigo mesmo que algo precisava ser feito, e não seria por ação de minha pobre mãezinha, debilitada e covarde, seria eu mesmo aos cinco ou seis anos de idade que teria de dar fim naquele maldito.
   Era tarde da noite quando ele assistia TV em casa, em uma de suas mãos o controle remoto, e na outra uma lata de cerveja com seu conteúdo pela metade, e pelo chão, varias outras latinhas de cerveja iguais a essa, mas sem seu conteúdo, totalmente vazias. Observei que ele já dormia, era a oportunidade perfeita de por meu plano em ação, aproveitei que minha mãe já dormia profundamente em seu quarto, me dirigi até a cozinha onde peguei uma faca de cortar carne, e um rolo enorme de fita isolante bem forte que me serviu para prender o maldito na poltrona que ele usava para dormir, tive o cuidado  de não acorda-lo enquanto fazia isto.
   Quando terminei, me certifiquei de que ele estava realmente preso, ele não poderia mover um musculo do peito pra cima, deixei seu pescoço, olhos e boca expostos. Logo ele acordou, e me viu de pé a sua frente com as mãos para trás.
   - moleque o que diabos é isto? O que está fazendo? Tira-me daqui...
   Não respondi nada. Nessa hora precisei colocar duas voltas de fita isolante em sua boca, para ele não chamar a atenção da minha mãe, pelo menos seus olhos e pescoço ainda estavam em perfeito estado, e meu objetivo com isso era que ele contemplasse sua própria morte, dolorosamente.
   Aproximei-me do desgraçado, revelando o que eu escondia, seus olhos se estremeceram e ele começou a remexer na poltrona, inquieto, com medo e apavorado, deslizei a lamina da faca em seu pescoço lentamente, encarando-o nos olhos. Um filete de sangue surgia por onde a lamina passeava, e o desgraçado mesmo com a boca amordaçada conseguia gemer de dor muito alto, notei que se ele soluçasse tanto, acordaria minha mãe, e ela poderia arruinar meu plano. Sem perder mais tempo, finquei com força toda a lâmina da faca em seu pescoço até sua ponta surgir na sua nuca, em seus últimos segundos de vida ele me olhava horrorizado, sentindo toda aquela dor que lhe causei. Eu apenas apreciava sua agonia, sua dor, aquilo de alguma forma me dava uma sensação prazerosa, inexplicável.
   Logo ele morreu e minha mãe acordou pouco tempo depois, e vendo aquela cena mais parecida com um filme de terror, eu segurando a faca e aquele desgraçado morto ali preso na poltrona, minha mãe nem tempo de pensar, apenas correu para o quarto arrumou as malas e me levou com ela para fora da cidade, recomeçaria sua vida de prostituta longe daquele local, onde ela poderia ser considerada a assassina daquele infame que eu matei, acho que está no sangue de toda mãe fazer aquilo, aceitar, proteger e tirar seu filho das encrencas que os mesmos cometem. Minha mãe não me deixaria, responder a um crime assim, ela como toda mãe iria me proteger com unhas e dentes, esse é o instinto básico de mãe, vai entender.
   Em fim, tentamos recomeçar nossas vidas em outra cidade, hoje tenho quase dezenove anos e a menos de uma semana, trucidei o sétimo namorado bêbado de minha mãe, ela que não consegue ficar longe de idiotas, acaba que trazendo esses alcoólatras imundos que tenho ódio por eles simplesmente lembrarem a minha primeira vitima, o meu pai.
   Não compreendo, não compreendo mesmo o que minha mãe vê nesses canalhas, cada namorado um pior que o outro, e eu sempre os arrastava para os becos escuros onde matava com a minha inseparável faca de cortar carne, discretamente da minha mãe.
   Hoje minha mãe chegou em casa com o mais novo namorado dela, um sujeito não muito diferente dos anteriores, que chegou com aquela cara de idiota olhando pra mim, não sei se durante esse tempo todo eu estava fazendo certo matando os namorados da mãe, eu repensava isto desde quando me obcequei por sangue, deveria aproveitar esse momento em que escrevo estas palavras para matar o desgraçado que está no quarto com ela nesse momento, dormindo. Sei que eles dormem agora por que os barulhos e gemidos incomuns cessaram a mais de duas horas. Agora são pouco mais de três horas da madrugada, sem sono eu não consegui dormir, inquieto, acabo de chegar a minha conclusão, esta noite mesmo matarei os dois.




Ao Henrique G. Mesquita e ao Diego Ornelas, “amigos” insanos...

6 comentários:

  1. O fino corte da faca, a perfuração, o assassinato...
    Não sei nem o que dizer, está ótimo, como sempre Salomon.
    Quem imaginaria? Me deixou novamente tenso...

    Você olharia 'ele' nos olhos?

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  2. Cara, O conheci em um jogo (Habbo), até hoje me lembro de você e das suas história, continuo acompanhando o seu blog e lendo os seus contos... ",Silok" aqui, abraços..

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  3. Silok meu velho amigo.... ha quanto tempo :D

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  4. Saudade debescrever assim.

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